Saúde
Exercícios para os ossos: estudo compara diferentes tipos de treino e mostra o que realmente faz diferença
Revisão de 24 ensaios clínicos mostra que a intensidade do exercício, mais do que a duração, é o principal fator para estimular a formação de osso novo
VEJA
A prática regular de atividade física ajuda a manter os ossos fortes e reduz o risco de fraturas ao longo da vida. Mas nem todos os tipos de exercício têm o mesmo efeito sobre o tecido ósseo. Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na revista científica Sports Medicine – Open indica que treinos de alta intensidade são os que mais estimulam a formação de osso novo em adultos saudáveis.
Já exercícios de intensidade moderada ou baixa não produziram o mesmo impacto nos principais marcadores da remodelação óssea, processo natural em que o organismo remove partes do osso antigo e forma um novo tecido, garantindo a renovação e a resistência do esqueleto.
Os pesquisadores analisaram 24 ensaios clínicos randomizados, o método considerado padrão-ouro da pesquisa científica, que compararam diferentes modalidades de exercício.
O foco foi a osteocalcina, proteína produzida pelas células responsáveis pela formação do osso. Níveis mais altos desse marcador indicam maior atividade de renovação do tecido ósseo.
A análise mostrou que exercícios de intensidade moderada ou baixa, musculação tradicional e treinos mistos não provocaram alterações significativas na osteocalcina.
Em contrapartida, atividades de alta intensidade, como HIIT, futebol e handebol recreativos, apresentaram aumento desse biomarcador.
Os pesquisadores sugerem que os treinos mais intensos reúnem três características importantes para estimular os ossos:
Essa combinação gera um estímulo maior para que o tecido ósseo se renove. Outro achado importante foi que a intensidade do treino pesou mais do que sua duração ou frequência.
Ou seja, treinar por mais semanas ou mais vezes por semana não foi suficiente para aumentar os marcadores de formação óssea quando o exercício era de baixa ou moderada intensidade.
Os autores ressaltam que os achados não significam que exercícios moderados ou leves sejam inúteis para os ossos.
Essas atividades continuam sendo importantes para a saúde cardiovascular, o controle do peso, a preservação da massa muscular e a prevenção de diversas doenças. Além disso, são as modalidades mais indicadas para muitas pessoas, especialmente idosos e indivíduos com limitações físicas.
O estudo apenas sugere que, quando o objetivo é estimular processos biológicos relacionados à formação dos ossos, exercícios de maior intensidade parecem provocar uma resposta mais forte.
“De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a atividade física regular oferece inúmeros benefícios para a saúde. No entanto, nossos resultados sugerem que exercícios de baixa intensidade, por si só, não são suficientes para estimular o metabolismo ósseo. Exercícios de alta intensidade podem desencadear mudanças benéficas precoces na formação óssea, potencialmente ajudando a retardar a perda óssea e a promover um envelhecimento saudável”, disse Nóra Sydó, coautora do estudo, em comunicado.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores destacam que ainda são necessários estudos de longo prazo para confirmar se esse aumento nos marcadores de formação óssea realmente se traduz, no futuro, em ossos mais resistentes e menor risco de osteoporose e fraturas.