Cirurgião plástico alerta sobre alterações visuais de Izabel Goulart | VEJA Gente

O médico Antonio Pitanguy diz: ‘reposicionamento de sobrancelha é um procedimento que exige indicação criteriosa’

VEJA / VALMIR MORATELLI SEGUIR SEGUINDO


Izabel Goulart, em 2026, e em 2023 (Redes Sociais/Reprodução)

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Izabel Goulart apareceu quase “irreconhecível” na pré-estreia do filme Fjord, durante o Festival de Cannes, nesta segunda-feira, 18. Levantou assim vários comentários nas redes sociais. A pedido da coluna GENTE, o médico Antonio Pitanguy, membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e neto de Ivo Pitanguy, fala sobre estas transformações da modelo.

“O que se observa claramente é uma alteração na posição da sobrancelha, e é por isso que ela parece ter mudado tanto. Pouca gente sabe disso, mas estudos clássicos do MIT mostraram que a sobrancelha é a feature mais importante do rosto para o cérebro reconhecer uma pessoa, na frente até dos olhos. Sobrancelhas e olhos juntos funcionam como uma assinatura de identidade, mais estável até do que boca e nariz. Isso tem implicação cirúrgica direta: quando você altera significativamente essa região, você não está apenas mudando uma estrutura anatômica. Você está interferindo na forma como aquela pessoa é reconhecida pelo mundo. O reposicionamento de sobrancelha é um procedimento que, em perfis como esse, exige indicação muito criteriosa, e que, quando mal indicado, frequentemente resulta em uma alteração da fisionomia que descaracteriza o indivíduo e imprime uma expressão de espanto permanente. E quando você muda o olhar, você corre o risco real de que pessoas próximas não reconheçam imediatamente quem está à sua frente. Isso é neurociência da percepção facial. O problema que estamos observando é uma superindicação: procedimentos descritos e validados para pacientes muito mais velhas estão sendo realizados em mulheres jovens, sem a criteriosa análise de indicação que esses casos exigem. Meu avô, Ivo Pitanguy, sempre repetia que a moda passa e a cicatriz fica. No rosto, não há margem para erro. Veja, não se trata de julgar o resultado individual ou a satisfação da paciente. Pode até ser que ela tenha gostado do resultado e isso importa. O que está em discussão é um princípio técnico e ético fundamental: a preservação da identidade facial. O rosto é a nossa forma de nos expressarmos com o mundo, e intervir nessa estrutura exige profundo respeito anatômico, indicação precisa e consciência de que uma indicação inadequada para aquele perfil de paciente pode gerar consequências irreversíveis”.



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