Produção de açúcar deve crescer na safra de cana 2025/26, diz Datagro

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As previsões iniciais eram de perdas mais expressivas na cana por conta dos incêndios que afetaram 450 mil hectares no ano passado — Foto: Wenderson Araújo CNA

Colheita é projetada em 607,6 milhões de toneladas, uma redução de 1,4% em relação a 2024/25

A safra decana-de-açúcardo Brasil 2025/26 deve ser similar à da temporada passada, mas com um aumento de 5,9% na produção deaçúcar, estima a consultoria Datagro.

Aprodução de cana-de-açúcarestá projetada para 607,6 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 1,4% em relação ao ciclo 2024/25. As previsões iniciais eram de perdas mais expressivas por conta dos incêndios que afetaram 450 mil hectares com cana no ano passado.

“Toda a seca e os incêndios geraram atraso no desenvolvimento fisiológico das lavouras, retardando o início da moagem, para dar tempo dacana-de-açúcarse desenvolver. E esse atraso ajuda na construção do número da safra”, afirmou Plínio Nastari, presidente e analista-chefe da Datagro, durante a Conferência Citi Iso Datagro NY Sugar & Ethanol, em Nova York, com transmissão on-line.

Ele acrescentou que, no ciclo 2024/25, a moagem chegou a 621,8 milhões de toneladas por conta do maior volume de cana bisada (colhida em safra anterior), de 23,5 milhões de toneladas. Para o ciclo atual, o volume estimado de cana bisada é de 8 milhões de toneladas.

De acordo com a consultoria, houve atraso na moagem decana-de-açúcarda safra 2025/26 na segunda quinzena de abril, por conta das chuvas acima da média histórica na região Centro-Sul. Em abril, a moagem atingiu 34,2 milhões de toneladas, ante 51,1 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado.

Apesar do atraso, disse Plínio, o nível de chuvas está muito similar ao registrado na safra 2022/23, levando a uma expectativa de boa produtividade.

A consultoria prevê estabilidade no teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), ficando em 140 quilos de ATR por tonelada decana-de-açúcar.

Em relação à produção deaçúcare álcool, a Datagro estima um aumento de 5,9% para oaçúcar, para 42,04 milhões de toneladas, e redução de 0,2% na produção deetanol, para 34,53 bilhões de litros. A safra tende a ser mais açucareira, com a produção da commodity respondendo por 51,5% da safra, contra 48,1% no ciclo passado.

Se essa produção se confirmar, o Brasil vai contribuir para que o mercado global deaçúcartenha um superávit de 1,53 milhão de toneladas na oferta deaçúcarna safra 2025/26, contra um déficit de 4,67 milhões de toneladas no ciclo anterior.

Preços internacionais

Nastari observou que os preços internacionais doaçúcarestão baixos, desestimulando as exportações por países menos competitivos. “É preciso ter um preço a partir de 25 centavos de dólar por libra-peso para estimular o aumento da capacidade produtiva. Hoje, o preço a 18,22 centavos de dólar não é atrativo”, diz o consultor.

Ele observou que o Brasil tem o menor custo de produção doaçúcar, ficando em 15,44 centavos de dólar por libra-peso. Os principais concorrentes têm custos mais altos: 18,28 cents na Austrália, 19,80 centavos de dólar na Guatemala, 21,53 cents na Tailândia, 22,42 cents na Índia e 23,48 cents na França.

Para oetanoldecana-de-açúcar, a expectativa é de aumento de 3,2% na produção doetanolanidro, para 12,76 bilhões de litros, e redução de 2,2% na produção do álcool hidratado, para 21,77 bilhões de litros.

Em relação aoetanol de milho, a Datagro projeta crescimento de 24,5% na produção, para 10,16 bilhões de litros, sendo 7 bilhões de litros deetanolhidratado (alta de 29,6%) e 3,16 bilhões de litros de anidro (aumento de 14,5%).

Nastari diz que os preços doetanoltêm se mantido firmes no mercado interno e há perspectiva sustentação nos preços com a demanda aquecida peloetanolhidratado e pelo potencial de aumento do consumo do anidro, caso seja adotada a mistura de 30% deetanolna gasolina, ante atuais 27% (Globo Rural, 14/5/25)



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