Policial
Gaeco faz nova operação contra policiais por desvio de drogas em MS
Equipes cumprem mandados no Estado e também em cidade do Paraná
MARTA FERREIRA DE JESUS / CAMPO GRANDE NEWS
Nove policiais civis que atuavam na Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira) estão entre os alvos da Operação Infiltrados II, deflagrada nesta quinta-feira (5) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), braço do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) dedicado a combater a criminalidade estruturada. É a segunda operação em dois dias com prisão de policiais civis.
O Gaeco divulgou que a investigação aponta, mais uma vez, desvio de drogas apreendidas e entrega a traficantes. Em uma única ação, afirma o grupo especializado, foram retirados mais de 500 quilos de cocaína que deveriam ser incinerados.
Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR).
Conforme o Gaeco, o esquema funcionou pelo menos entre junho de 2025 e maio de 2026, período em que os policiais investigados estavam lotados na Defron. Os agentes teriam usado as próprias operações de combate ao tráfico para retirar parte das drogas apreendidas.
Como era feito - Os desvios ocorriam de três formas, apurou a investigação. Os policiais retiravam parte das cargas durante as operações, subtraíam drogas armazenadas no depósito da delegacia ou desviavam o material durante o transporte para incineração.
Em setembro de 2025, segundo a investigação, mais de 500 quilos de cocaína desapareceram de uma carga destinada à destruição. A droga teria sido entregue a traficantes, responsáveis por revendê-la.
Primeira fase – A nova operação amplia as investigações iniciadas com a Operação Infiltrados, deflagrada em 24 de setembro deste ano. Na ocasião, o Gaeco cumpriu 26 mandados de prisão e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Entre os principais investigados estava o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, ex-titular da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), apontado pelo Ministério Público como uma das lideranças do esquema.
A primeira fase também teve como alvos os policiais civis Douglas Tobias, Neverson Vieira de Araújo, Luiz Carlos de Souza, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Nilton César Sales dos Santos, Roberto Palmeira da Silva e Marcos André Santos Chaves.
Outro investigado foi o ex-policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, conhecido como 'Paraíba'. Também apareceram entre os alvos o policial militar Alison Lemes Bezerra e o policial penal Vitor Ribeiro Venancio dos Santos.
As investigações identificaram ainda a participação de pessoas ligadas ao tráfico, entre elas Lucas da Silva dos Santos, conhecido como 'LK', apontado como intermediário entre policiais e compradores das drogas desviadas.
Na primeira fase, a investigação apontou que policiais utilizavam informações privilegiadas e o acesso às drogas apreendidas para abastecer traficantes. Não há informação se os nove policiais investigados nesta nova etapa também aparecem na relação de acusados da primeira fase.
A Operação Infiltrados II tem apoio da Corregedoria da Polícia Civil, do Batalhão de Choque e do Gaeco do Paraná. O nome faz referência à presença de integrantes de organizações criminosas dentro das próprias instituições responsáveis pelo combate ao crime.

