Agronegócios
EUA reduzem cota de importação de açúcar bruto do Brasil
Países poderão exportar volume menor após anúncio de nova distribuição tarifária do USTR para o ano fiscal de 2027.
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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (23) a distribuição, por país, das cotas de importação de açúcar bruto de cana com tarifa reduzida para o ano fiscal de 2027, que passa a valer a partir de 1º de outubro deste ano até 30 de setembro de 2027. Para o Brasil, 56 mil toneladas do produto podem ter mais vantagem.
Com isso, o Brasil poderá exportar 100 mil toneladas, quase 36% a menos do que no ano passado.
OEscritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgou o comunicado oficial com as cotas tarifárias com as quantidades de produto para os Estados Unidos com uma tarifa relativamente baixa. Já as importações que ultrapassam o limite estabelecido ficam sujeitas a uma tarifa mais elevada.
Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado, afirma que 56 mil toneladas não são nada diante do tamanho das exportações brasileiras a cada safra. 'Mesmo 100 mil toneladas representam pouco, considerando que o Brasil exporta entre 23 milhões e 25 milhões de toneladas por safra, dependendo do ano. Nesse contexto, 56 mil toneladas representam um volume ainda menor”, informou à CNN Brasil.
Em 14 de julho de 2026, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou o volume da cota de açúcar bruto de cana para o ano fiscal de 2027.
O volume é de 1.117.195 toneladas métricas em equivalente de açúcar bruto, quantidade mínima com a qual os Estados Unidos se comprometeram no âmbito do acordo da OMC (Organização Mundial do Comércio).
Em 24 de julho de 2026, o USTR publicou a distribuição, por país, de 1.061.202 toneladas desse total, conforme o aviso 91 FR 46822 do Registro Federal. Agora, o representante de Comércio dos Estados Unidos está distribuindo as 55.993 toneladas restantes entre os países e nas quantidades indicadas na tabela abaixo.
Os EUA abrem anualmente uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas de açúcar bruto de cana, com base em compromissos assumidos junto à OMC (Organização Mundial do Comércio). O que entra no país dentro desse montante paga uma tarifa reduzida, enquanto o que fica de fora é afetado por uma barreira de aproximadamente US$ 340 por tonelada.
De acordo com o próprio USTR, a destinação de cotas a países que são importadores líquidos de açúcar está condicionada ao recebimento das devidas comprovações de origem.
As importações provenientes de qualquer país contemplado com uma cota devem ser acompanhadas de certificados de elegibilidade à cota.
Entidade dos EUA critica subsídios ao açúcar e pede revisão de tarifas de importação
A American Sugar Alliance, entidade do setor açucareiro dos Estados Unidos, defende a atualização das tarifas aplicadas às importações de açúcar que ultrapassam as cotas do país. Segundo a organização, subsídios e mecanismos de proteção comercial adotados por países exportadores distorcem o mercado mundial e prejudicam os produtores americanos.
Em posicionamento divulgado pela NAFB, a entidade cita Brasil, Índia e Tailândia, que, segundo seus dados, respondem por cerca de 70% das exportações globais de açúcar. A aliança afirma que o apoio governamental nesses países pode estimular uma produção superior à demanda doméstica, com excedentes vendidos no mercado internacional a preços abaixo dos custos de produção.
Na avaliação da organização, essa dinâmica afeta os agricultores americanos que cultivam beterraba e cana-de-açúcar. A entidade estima que esses produtores tenham deixado de ganhar mais de US$ 3 bilhões nos últimos dois anos em razão da entrada de açúcar estrangeiro que classifica como subsidiado e importado acima das cotas.
Os Estados Unidos administram as compras externas de açúcar por meio de cotas tarifárias, com cobrança de tarifas adicionais sobre os volumes que excedem os limites estabelecidos. A nota cita dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que confirmam a existência dessas tarifas no sistema americano.
Segundo a American Sugar Alliance, as tarifas incidentes sobre os volumes acima das cotas não são atualizadas há 26 anos. A entidade pede que elas sejam modernizadas para refletir as condições atuais do mercado (CNN Brasil, 23/9/26)
EUA reduzem cota de importação de açúcar do Brasil e atingem Nordeste
Governo de Donald Trump vem limitando as compras de açúcar do Brasil — Foto: White House Photo/Molly Riley
Usinas da região passam a usufruir de 100 mil toneladas com redução de tarifa, um terço a menos do que o volume dos últimos anos.
Os Estados Unidos confirmaram, nesta quarta-feira (23/9) a redução da cota de importação de açúcar bruto do Brasil para o ano fiscal 2027 (que se inicia em outubro deste ano e termina em setembro de 2027) em 55,9 mil toneladas, e redistribuíram o benefício para outros países exportadores.
A medida afeta em cheio as usinas do Nordeste do Brasil, que pela lei brasileira têm direito de usufruir da cota com redução de tarifa para acessar o mercado americano. As usinas do Nordeste do Brasil terão agora direito a usufruir de uma cota de 100 mil toneladas, um terço a menos do que o volume dos últimos anos.
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A redução praticamente inviabiliza a exportação de açúcar em volumes adicionais ao estabelecidos na cota. A tarifa de importação aplicada pelos Estados Unidos é de US$ 340 a tonelada. Além disso, os exportadores do Nordeste perdem espaço em um mercado que costuma pagar mais do que outros destinos, segundo fontes do setor.
Para o resultado da balança comercial brasileira, porém, o efeito é limitado, já que os Estados Unidos representam perto de 1% do total das exportações de açúcar de todo o país. O principal destino do açúcar brasileiro é hoje a China, que desde 2020 importa entre 10% e 15% do produto exportado pelo Brasil.
De acordo com decisão divulgada nesta quarta-feira pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), a cota de 55 mil toneladas que os EUA deixaram de alocar para o açúcar do Brasil foi redistribuída para 28 países.
O benefício foi estendido inclusive para a Índia, que embora seja uma grande produtora de açúcar, neste ano está adotando uma política de importação para reduzir os preços domésticos.
O USTR afirmou em comunicado que a alocação de cotas para países que são importadores líquidos de açúcar será condicionada “ao recebimento de verificações apropriadas de origem”.
Os principais beneficiados com a realocação da cota que era do Brasil foram a República Dominicana, com 11,9 mil toneladas, as Filipinas, com 9,1 mil toneladas, e a Austrália, com 5,6 mil toneladas. Os três países são importantes exportadores de açúcar, mas o Brasil lidera o ranking com folga, com embarques de mais 30 milhões de toneladas ao ano.
O governo americano também concedeu o benefício para outros países da América Latina, como a Argentina, com uma cota adicional de 2,9 mil toneladas, para o Peru, com 2,7 mil toneladas, e para a Colômbia, com 1,6 mil toneladas (Globo Rural, 23/9/26)
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