Pecuária
Arroba do boi gordo reage e mercado volta a enxergar espaço para novas altas
REDAçãO
O mercado físico do boi gordo voltou a apresentar sinais de reação nesta terça-feira (14), mas o cenário ainda está longe de ser uniforme. Enquanto algumas das principais praças pecuárias registraram valorização da arroba devido à oferta limitada de animais terminados, a categoria destinada ao mercado chinês segue pressionada, refletindo a cautela das indústrias exportadoras diante da interrupção temporária dos embarques para a China.
Na prática, o mercado vive um momento de transição. A restrição de oferta ajuda a sustentar os preços da arroba em diversas regiões, mas a demanda doméstica enfraquecida na segunda quinzena do mês e as incertezas envolvendo o principal destino da carne bovina brasileira impedem um movimento mais consistente de alta. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp Mangalarga Marchador: o cavalo brasileiro que precisa sair da vitrine e voltar a mostrar função Oferta curta fortalece negociações
De acordo com Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, as escalas de abate continuam encurtadas, consequência da menor disponibilidade de bovinos prontos para o abate.
Segundo ele, isso permitiu que algumas negociações fossem realizadas acima das referências médias. “A oferta de animais terminados tem se mostrado restrita neste momento, fazendo com que as negociações estejam pouco fluídas no decorrer da primeira quinzena do mês”, avaliou Iglesias.
“A oferta de animais terminados tem se mostrado restrita neste momento, fazendo com que as negociações estejam pouco fluídas no decorrer da primeira quinzena do mês”, avaliou Iglesias.
A consultoria destaca ainda que, embora o ritmo diário das exportações tenha desacelerado em julho, o volume embarcado permanece em níveis historicamente elevados, demonstrando que o Brasil vem conseguindo ampliar sua diversificação de mercados externos. Arroba do boi gordo sobe nas principais praças
Levantamento da Safras & Mercado mostrou avanço das cotações em importantes estados produtores: São Paulo: R$ 328,42/@ (ante R$ 327,17) Goiás: R$ 314,93/@ Minas Gerais: R$ 310,18/@ Mato Grosso do Sul: R$ 326,82/@ Mato Grosso: R$ 314,73/@
O movimento confirma que a disponibilidade restrita de animais continua sendo o principal fator de sustentação dos preços no mercado físico. “Boi-China” perde força em São Paulo
Enquanto o mercado doméstico ensaia recuperação, o segmento voltado à exportação para a China segue enfrentando dificuldades.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, o chamado “boi-China” sofreu nova desvalorização de R$ 2 por arroba na praça paulista, passando a ser negociado a R$ 333/@ (a prazo), com um ágio de apenas R$ 3/@ sobre o boi comum.
A consultoria explica que parte dos frigoríficos permanece adotando postura cautelosa após a paralisação dos embarques ao mercado chinês, provocada pelo quase esgotamento da cota anual de salvaguarda de 1,1 milhão de toneladas.
Além disso, o consumo doméstico mais lento no fim do mês reduz o interesse das indústrias em ampliar compras.
Segundo a Scot, muitas empresas aguardam maior clareza sobre o escoamento da carne no mercado interno antes de voltar às compras de forma mais agressiva. Agrifatto vê fundamentos positivos para a arroba
Apesar das dificuldades momentâneas, a Agrifatto avalia que os fundamentos estruturais seguem favoráveis para a pecuária brasileira ao longo do segundo semestre.
A consultoria observou queda diária das cotações apenas em Maranhão, Pará e Tocantins, além de valorização no Rio Grande do Sul, enquanto nas demais regiões prevaleceu estabilidade.
Segundo a empresa, ainda existe resistência entre vendedores e compradores, mas a expectativa permanece otimista para os próximos meses. “A menor disponibilidade de animais terminados, associada à retomada da demanda externa e ao fortalecimento do consumo interno, tende a sustentar uma recuperação das cotações da arroba”, projeta a Agrifatto.
“A menor disponibilidade de animais terminados, associada à retomada da demanda externa e ao fortalecimento do consumo interno, tende a sustentar uma recuperação das cotações da arroba”, projeta a Agrifatto.
No mercado futuro, esse cenário também começa a aparecer. O contrato do boi gordo com vencimento em setembro de 2026 encerrou o último pregão da B3 cotado a R$ 343,05/@, alta de 0,62%, reforçando a expectativa de valorização no último trimestre do ano. Atacado segue estável
No mercado atacadista, o comportamento continua mais moderado.
De acordo com a Safras & Mercado, os preços permanecem estáveis, mas a carne bovina perdeu competitividade frente às proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango, fator que pode limitar reajustes nas próximas semanas.
As referências permanecem em: Quarto dianteiro: R$ 19,00/kg Quarto traseiro: R$ 26,00/kg Ponta de agulha: R$ 18,00/kg Mercado acompanha oferta e exportações
O mercado do boi gordo segue dividido entre a sustentação proporcionada pela oferta restrita de animais terminados e as incertezas provocadas pela interrupção temporária dos embarques para a China.
Ainda assim, o consenso entre as principais consultorias é que os fundamentos permanecem favoráveis para uma recuperação da arroba ao longo do segundo semestre, especialmente na reta final do ano, quando tradicionalmente há redução da oferta de bovinos prontos para abate e aumento da demanda tanto no mercado interno quanto nas exportações.
*Compre Rural
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