Fila de quase 40 km de caminhões carregados de soja trava porto no Pará e expõe gargalo logístico na BR-153

No Brasil, uma fila de quase 40 quilômetros de caminhões carregados de soja bloqueia o acesso ao porto de Miritituba, escancara os problemas de lama, buracos e trechos sem pavimentação na BR-163 e transforma a maior safra da história em um verdadeiro caos logístico.

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Via Poder360

O Brasil caminha para consolidar a maior safra de soja da história, estimada em quase 180 milhões de toneladas, mas o avanço no campo contrasta com um velho problema estrutural: a logística. No auge da colheita 2025/26, uma fila de quase 40 km de caminhões carregados de soja se formou no acesso aos terminais portuários de Miritituba, no Pará, travando o fluxo e pressionando fretes, contratos e margens.

A situação foi detalhada em reportagem publicada em 24 de fevereiro de 2026 e escancara o descompasso entre produção recorde e infraestrutura ainda insuficiente para absorver picos de volume. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp Governo quer controle estatal da cota de carne para a China após sobretaxa de 55%; e agora? Miritituba: o gargalo que virou símbolo do problema e tem fila de quase 40 km de caminhões carregados de soja

Miritituba é hoje uma das engrenagens centrais do chamado “Arco Norte', corredor logístico que ganhou protagonismo nos últimos anos por reduzir distâncias até os mercados internacionais, especialmente a Ásia e a Europa.

A região movimenta cerca de 12 milhões de toneladas por ano, funcionando como porta de saída estratégica para soja e milho do Centro-Oeste. No entanto, quando a demanda se concentra em uma janela curta, como ocorre nesta temporada, o sistema entra em colapso.

Com a formação da fila de quase 40 km de caminhões carregados de soja: Caminhões aguardam horas — em alguns casos, dias — para descarregar. O custo do frete sobe devido ao tempo parado. Contratos de entrega ficam sob pressão. O risco de perda de qualidade do grão aumenta.

O problema é agravado pelo trecho final da BR-163, que ainda enfrenta pontos críticos de pavimentação e manutenção. Em períodos de chuva, lama e buracos reduzem drasticamente a fluidez do tráfego, transformando o acesso ao porto em um verdadeiro funil. Colheita avança, mas ainda está atrasada

Apesar da aceleração recente, os números mostram que o calendário da safra 2025/26 segue irregular.

Dados da consultoria AgRural indicam que a colheita alcançou 30% da área cultivada, acima dos 21% da semana anterior, mas ainda abaixo dos 39% registrados no mesmo período do ano passado.

Esse atraso é resultado de uma combinação de fatores: Plantio tardio em diversas regiões Ciclos mais longos das lavouras Chuvas persistentes durante a colheita

Na prática, isso significa que grandes volumes estão sendo liberados quase ao mesmo tempo, comprimindo a janela logística e concentrando caminhões nas estradas e nos terminais.

Especialistas do setor apontam que, quando produção, transporte rodoviário e capacidade portuária não evoluem no mesmo ritmo, o resultado aparece em filas quilométricas e aumento do chamado “custo Brasil'. Santarém: terminal interrompido amplia tensão

Como se o gargalo rodoviário não fosse suficiente, outro fator elevou a preocupação no Norte do país.

Um grupo de manifestantes indígenas ocupou o terminal fluvial da Cargill em Santarém (PA), interrompendo temporariamente as operações. Segundo informações do setor portuário, mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho passaram por essa unidade no último ano, representando mais de 70% dos grãos movimentados ali.

A empresa informou que houve evacuação da equipe e que mantém diálogo com autoridades para garantir uma desocupação segura. Também foram relatados indícios de danos a ativos da instalação.

O protesto está ligado a debates sobre planos de dragagem no rio Tapajós, considerados estratégicos para ampliar a navegabilidade e garantir escoamento durante períodos de estiagem. Comunidades indígenas argumentam que intervenções mais profundas podem afetar qualidade da água, pesca e modos de vida tradicionais.

Já representantes do setor defendem que a dragagem é prática comum para assegurar competitividade logística e evitar justamente gargalos como os que agora se repetem. BR-153: Safra recorde, custo recorde?

O paradoxo é evidente: enquanto o Brasil reforça sua posição como maior exportador global de soja, enfrenta entraves internos que reduzem eficiência e elevam custos. O Arco Norte cresceu de forma acelerada na última década, ampliando sua participação nas exportações nacionais. Em alguns meses do ano, essa rota já responde por mais de 35% dos embarques de grãos do país. Porém, a infraestrutura ainda trabalha no limite durante picos de safra.

Quando: Fila na estrada Terminal com operação interrompida Colheita concentrada em curto espaço de tempo

acontecem simultaneamente, o impacto é direto no bolso do produtor e na competitividade brasileira frente a concorrentes como Estados Unidos e Argentina. Impacto no produtor e no mercado

Para o produtor rural, especialmente no Mato Grosso e no Pará, os reflexos são imediatos: Maior custo logístico por tonelada. Redução da margem líquida. Pressão para negociar fretes em valores mais altos. Risco de atrasos contratuais.

No mercado internacional, atrasos no embarque podem afetar prêmios nos portos e gerar volatilidade adicional nos contratos futuros negociados em Chicago.

Além disso, o cenário reacende discussões estruturais: Necessidade de ampliação de terminais no Norte. Investimentos contínuos na BR-163. Expansão da capacidade ferroviária. Integração multimodal mais eficiente. O desafio estrutural do agro brasileiro

O episódio de Miritituba, com fila de quase 40 km de caminhões carregados de soja, não é isolado. Ele simboliza um dilema recorrente do agronegócio brasileiro: a produção cresce mais rápido do que a infraestrutura acompanha.

O país demonstra capacidade tecnológica, produtividade e escala para bater recordes sucessivos no campo. No entanto, sem avanços proporcionais em logística, parte dessa vantagem competitiva é corroída no momento mais sensível da cadeia — o escoamento.

Com a safra 2025/26 avançando e volumes ainda maiores a caminho dos portos nas próximas semanas, o risco é que o congestionamento atual seja apenas o início de uma nova rodada de pressão sobre o sistema.

Se nada for ajustado, a maior safra da história pode também se tornar um marco de alerta: não basta produzir mais; é preciso escoar melhor.



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