Geral
Opinião: Respeitar decisões particulares é sinal de maturidade social
BATANEWS/BATANEWS/REDAçãO
Vivemos em uma era em que decisões pessoais deixaram de ser apenas escolhas individuais para se tornarem motivo de julgamentos públicos, ataques virtuais e debates desnecessários. Um exemplo recente é o caso envolvendo o cantor Zezé Di Camargo e o SBT, que rapidamente ultrapassou o campo artístico e passou a ser tratado como um assunto estritamente político.
Bastou o artista se posicionar para que surgissem memes, críticas e até declarações de suposta decepção por parte de algumas pessoas que se dizem fãs. No entanto, é preciso refletir: desde quando a escolha pessoal de um artista passou a definir seu talento, sua trajetória ou sua credibilidade profissional?
Zezé Di Camargo construiu uma carreira sólida, marcada por sucessos, reconhecimento nacional e internacional, além de uma legião de admiradores. Trata-se de um artista consagrado, milionário, amado por milhões de brasileiros, e nada disso será abalado por opiniões políticas ou por decisões que dizem respeito exclusivamente à sua vida, às suas convicções e ao seu posicionamento político.
O que se percebe é que grande parte da indignação não vem do campo artístico, mas sim de militâncias políticas que tentam transformar qualquer posicionamento em combustível para ataques e narrativas ideológicas. O artista deixa de ser cantor para se tornar alvo, não por sua música, mas por aquilo que pensa.
O verdadeiro fã, aquele que acompanha a carreira, canta as músicas e se emociona com as histórias, não está preocupado com emissora de televisão, partidos políticos ou disputas ideológicas. O verdadeiro fã admira o artista pelo que ele representa na música, e não pelo lado político que escolheu seguir. Até porque ter um lado é um direito garantido a qualquer cidadão. Antes de ser artista, Zezé é um cidadão, com direito de votar, opinar e até de se candidatar, se assim desejar.
Respeitar decisões particulares é um exercício de convivência democrática. Se não concorda, simplesmente siga em frente. Ninguém é obrigado a pensar igual, muito menos a se justificar por escolhas pessoais.
Em tempos de intolerância digital, maturidade é entender que nem tudo precisa virar polêmica. E, acima de tudo, compreender que talento, história e credibilidade não se apagam com memes, críticas ou com a revolta de quem insiste em confundir arte com política.
Somente o tempo dirá se o artista errou ou não, se deixou emoções ou convicções políticas falarem mais alto. Cabe ao público, com calma é discernimento, decidir se continua fã ou não, essa escolha é individual e legítima.
É triste ver tantos artistas se envolverem em disputas políticas, de ambos os lados, sejam lulistas ou bolsonaristas. Quando um artista defende o presidente Lula, é criticado por bolsonaristas; quando apoia Jair Bolsonaro, ocorre o inverso. Esse cenário é lamentável, pois a maioria dos fãs não quer saber de lado político, mas sim de um bom show, de boa música e de entretenimento de qualidade.
Brigar por conta de um show cancelado não resolve absolutamente nada. Se Zezé Di Camargo fosse realizar esse mesmo show, no mesmo dia e horário em que seria exibido pelo SBT, em qualquer cidade do Brasil, certamente o público estaria lotando o local, com petistas e bolsonaristas juntos, cantando, se divertindo e compartilhando o mesmo espaço. Isso é fato.
Por fim, a assessoria de comunicação do SBT informa que, após avaliações internas, a cúpula do SBT decidiu não exibir o especial “Natal é Amor”, que estava programado para a próxima quarta-feira, às 23h. A emissora informou ainda que divulgará em breve a atração que ocupará o horário.
COMENTÁRIOS
