Justiça
O que acontece após o STF confirmar a prisão preventiva de Bolsonaro
O ex-presidente foi detido no sábado após a PF constatar uma tentativa de violação da tornozeleira eletrônica e apontar elevado risco de fuga
REDAçãO
Com isso, Bolsonaro seguirá preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele foi levado ao local após confessar ter utilizado um ferro de soldar na tornozeleira eletrônica por “curiosidade'. Em depoimento durante audiência de custódia, o ex-presidente reformou a versão e alegou que estava em “paranoia' causada pela combinação de medicamentos.
A Primeira Turma do Supremo entendeu, porém, que o ato demonstrou elevado risco de fuga e optou por manter a prisão preventiva iniciada no sábado 22.
A defesa do ex-presidente pode agora apresentar um habeas corpus para tentar convencer o Supremo a mandar Bolsonaro de volta para casa. Enquanto a prisão preventiva for mantida, Bolsonaro seguirá na sede da PF.
Ele é acusado de tentar atrapalhar o julgamento do Golpe em conluio com seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e com o blogueiro Paulo Figueiredo, ambos denunciados no inquérito que tramita no STF. As próximas etapas desse processo incluem também a conclusão do inquérito policial da PF sobre o caso.
Após o fim das investigações, o relatório servirá para a Procuradoria-Geral da República apresentar denúncia contra o ex-presidente, uma vez que os demais citados no processo já foram denunciados. Será com base nessa investigação que a PGR irá decidir se os argumentos do relatório serão suficientes para manter a prisão preventiva durante o curso desse novo processo.
Bolsonaro também foi condenado no Supremo por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Neste processo, a defesa pode apresentar novos recursos. Nesta segunda-feira 24, os advogados do ex-presidente irão protocolar novos embargos de declaração. A previsão é de que sejam negados e que o ministro Moraes já determine o trânsito em julgado, quando não há mais a possibilidade da defesa recorrer.
“São dois processos diferentes e a situação da preventiva não interfere na prisão-pena que virá a ser cumprida após o trânsito em julgado da condenação no outro processo. Acontece que não se pode prender uma mesma pessoa em regimes de prisão diferentes. Dessa forma, acredito que a prisão da condenação terá início de forma concomitante com a preventiva atual. Ou seja, com a certidão de trânsito em julgado, o ofício para iniciar o cumprimento de pena será apresentado à sede regional da PF para que o preso seja notificado de que ele passará a cumprir as duas medidas de forma simultânea', explicou a CartaCapital a especialista em direito penal Hanna Gomes.
Após a publicação da certidão do trânsito em julgado, Moraes irá determinar onde o ex-presidente irá começar o cumprimento da sua pena. “Penso eu que será nas dependências da sede regional da PF em Brasília, para que não prejudique o cumprimento da preventiva pelo outro processo', analisa Gomes. No entanto, a PF terá de manifestar se o prédio onde Bolsonaro está preenche os requisitos necessários devido a condição de saúde do ex-presidente. Para a especialista, o benefício da prisão domiciliar está “temporariamente prejudicado'.