Justiça
Justiça questiona perícia que livrou JBS de poluir córrego turístico em Nova Andradina
Juíza dá 15 dias para perita explicar laudo considerado falho pelo Ministério Público; empresa já foi multada pelo Ibama em R$ 600 mil por irregularidades no mesmo local
CVNEWS/REDAçãO
A juíza Cristiane Aparecida Biberg de Oliveira determinou que a perita judicial responsável pelo laudo que isentou a JBS de responsabilidade por suposta poluição no Córrego do Baile, em Nova Andradina (MS), apresente explicações detalhadas sobre suas conclusões. O prazo dado pela magistrada é de 15 dias.
A medida atende a manifestação do promotor de Justiça Felipe Almeida Marques, que apontou falhas no parecer pericial e pediu sua anulação. O Ministério Público estima em R$ 708 mil os danos ambientais já causados ao córrego, considerado uma atração turística do município.
No despacho, a juíza ordena que a perícia esclareça, de forma objetiva, a natureza dos impactos ambientais, os efeitos concretos identificados e se houve ou não dano ambiental pretérito, ou seja, já consumado.
Perícia “incompleta e falha” De acordo com o promotor, o laudo deixou de comprovar a poluição, mesmo diante de boletins técnicos do MP que apontaram níveis acima do permitido nos dejetos lançados no córrego. Além disso, o parecer teria se baseado em dados antigos, de 2016, sem realizar novas coletas e análises em campo.
“O laudo pericial é incompleto e falho ao não reconhecer a ocorrência de dano ambiental pretérito e ao atestar, sem o devido subsídio técnico, a eficiência do sistema de tratamento de efluentes da empresa ré”, afirmou Marques.
O MP pede que a Justiça declare a nulidade da perícia e determine uma nova análise, com coleta atual de amostras, para avaliar tanto a eficiência do sistema de tratamento da JBS quanto a extensão da degradação ambiental.
O que diz a JBS Procurada, a empresa afirmou que a perícia judicial confirmou a eficiência de seu sistema de tratamento de efluentes na unidade de Nova Andradina e concluiu que não houve danos ambientais no Córrego do Baile.
Histórico de infrações Não é a primeira vez que a gigante de alimentos se vê envolvida em questionamentos ambientais no município. Em 2014, o Ibama multou a JBS em R$ 600 mil por lançar resíduos irregulares no mesmo córrego. À época, moradores denunciaram mau cheiro e relataram que, após se banharem nas águas, a pele ficava engordurada.
*Com informações do Midiamax
COMENTÁRIOS

